sábado, 19 de janeiro de 2013

Capítulo 1 - Sem querer transformo em pó minha professora de iniciação à álgebra.


Olhe, eu não queria ser um meio-sangue.
     Se você está lendo isto porque acha que pode ser um, meu conselho é o seguinte: feche este livro agora mesmo. Acredite em qualquer mentira que sua mãe ou seu pai lhe contou sobre seu nascimento, e tente levar uma vida normal.
     Ser um meio-sangue é perigoso. É assustador. Na maioria das vezes, acaba com a gente de um jeito penoso e detestável.
     Se você é uma criança normal, que está lendo isso porque acha que é ficção, ótimo. Continue lendo. Eu o invejo por ser capaz de acreditar que nada disso aconteceu.
     Mas, se você se reconhecer nestas páginas - se sentir alguma coisa emocionante lá dentro , pare de ler imediatamente. Você pode ser um de nós. E, uma vez que fica sabendo disso, é apenas uma questão de tempo antes que eles também sintam isso, e venham atrás de você. Não diga que eu não avisei.

Meu nome é Percy Jackson.
     Tenho doze anos de idade. Até alguns meses atrás eu era aluno de um internato, na Academia Yancy, uma escola particular para crianças problemáticas no norte do estado de Nova York.
     Se eu sou uma criança problemática?
     Sim. Pode-se dizer isso.
     Eu poderia partir de qualquer ponto da minha vida curta e infeliz para prová-lo, mas as coisas começaram a ir realmente mal no último mês de maio, quando a nossa turma do sexto ano fez uma excursão a Manhattan  - vinte e oito crianças alucinadas e dois professores em um ônibus escolar amarelo indo para o Metropolitan Museum of Art, a fim de observar velharias gregas e romanas.
     Eu sei, parece tortura. A maior parte das excursões da Yancy era mesmo.
     Mas o sr. Brunner, nosso professor de latim, estava guiando essa excursão, assim eu tinha esperanças.
   O sr. Brunner era um sujeito de meia-idade em uma cadeira de rodas motorizada. Tinha o cabelo ralo, uma barba desalinhada e usava um casaco surrado de tweed que sempre cheirava a café. Talvez você não o achasse legal, mas ele contava histórias e piadas e nos deixava fazer brincadeiras em sala. Também tinha uma impressionante coleção de armaduras e armas romanas, portanto era o único professor cujo aula não me fazia dormir.
     Eu esperava que desse tudo certo na excursão. Pelo menos tinha esperança de não me meter em encrenca dessa vez.
     Cara, como eu estava errado.



*Continua...


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